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Guardei isto,

do  Vasco Pulido Valente,

2001:

«Nada impede que

se façam obras públicas, claro.

O resto não é tão simples.

Um povo que viveu sempre na miséria, sujeito ao arbítrio de uma autoridade distante, não acorda um belo dia individualista, responsável e ambicioso. Os pobres preferem prudentemente a rotina e a segurança. E aplicam o seu espírito a enganar o patrão e o Estado, de quem esperam tudo e a quem atribuem todo o mal do mundo. Portugal não teve uma revolução industrial e, se nos rasparem, por baixo de cada um de nós – trabalhador, empresário ou intelectual – há um camponês ou um merceeiro manhoso. Precisamos de muito tempo e muitos desgostos, para nos civilizarmos.»

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